Virtuosi festeja Lizst e Mahler (Jornal do Commercio)

O mês de outubro deste ano foi marcado pelo bicentenário de nascimento do pianista e compositor húngaro Franz Lizst. Conhecido pelo seu virtuosismo, o músico também tinha fama de sedutor e fazia sucesso entre as mulheres. Mais reservado, porém não menos genial, o austríaco Gustav Mahler destacou-se como exímio orquestrador. Ele morreu em maio de 1911. Os dois são os homenageados da 14ª edição do Virtuosi Festival Internacional de Música, que começa amanhã, em Olinda, e se encerra no dia 18, no Teatro de Santa Isabel, no Recife.

Antes dos tributos a Lizst e Mahler, as atenções se voltam para outra grande “estrela” do erudito. Neste sábado, na igreja olindense do Alto da Sé, o violoncelista pernambucano Leonardo Altino apresentará, pela primeira vez no Nordeste, as Seis suítes para violoncelo solo, do compositor Johann Sebastian Bach, divididas em duas sessões: às 18h e às 20h. Os Celo Fest marca a abertura oficial do Virtuosi.

Altino é professor assistente de violoncelo na Rudy Scheidt School of Music da Universidade de Memphis, Estados Unidos, e integrante da Cerutti String Quartet. O músico costuma se apresentar como solista e recitalista naquele país, além do Brasil, Taiwan, Alemanha, Chile, Colômbia, Canadá e Coréia. Também atuou em importantes orquestras brasileiras, nas sinfônicas do Chile e de Bogotá.

No domingo, também na Sé, apresentam-se, às 16h, o Cellos da UFRN & Percumpá. Este é coordenado pelo docente Cleber da Silveira Campos e é formado por professores e alunos de percussão do curso técnico, bacharelado e pós-graduação daquela instituição de ensino. O público deve presenciar uma interessante junção da suavidade de instrumentos de corda com a força dos tambores. No programa, obras de Liduino Pitombeira, Ernst Widmer, Astor Piazzolla, Daniel Johnston, Heitor Villa-Lobos e Bach.

A partir das 18h, os dinamarqueses do Arild Kvartetten apresentam obras de Johannes Brahms, Hugo Wolf e Wolfang Amadeus Mozart. Formado em 2008, eles têm se destacado em seu país como um dos mais importantes grupos de música de câmara.

O Trombone Unit Hannover toca em seguida, a partir das 20h. Os oito jovens – alunos e ex-alunos da Escola Superior de Música e Teatro de Hannover -, interpretam composições de Georg Friedrich Händel, Enrique Crespo, Derek Bourgeois, Saskia Apon e Daniel Schnyder

HOMENAGEADOS

Chileno radicado há mais de 40 anos no Brasil, o violinista, professor, regente e diretor artístico do Virtuosi, Rafael Fernando Garcia, diz que – além de celebrar os 200 anos do nascimento de Franz Lizt e o centenário da morte de Gustav Mahler – o festival tem intenção mostrar ao público a riqueza e as qualidades musicais dos dois compositores.

“Franz Lizst foi o primeiro grande solista a tocar de cor, ou seja, sem partitura. E suas obras são dificílimas. Elas são caracterizadas pelo virtuosismo e por serem bastante sentimentais. Mas não sentimen-talóides”, reforça Rafael Garcia.

Para interpretar as desafiantes composições pianísticas de Lizst, foram convidados três pianistas estrangeiros: o russo Peter Laul, o filipino Victor Asuncion e Jihye Chang, da Coreia.

Sobre Mahler, ele destaca a beleza melancólica das suas criações, característica bastante presente em praticamente toda a obra do artista. “Mesmo quando alegre, Gustav Mahler compunha obras que nos soam tristes. E quando ele estava desolado, o resultado era ainda mais profundo. Em certo concerto da Filarmônica de Berlim, alguns músicos da orquestra chegaram a chorar quando interpretaram músicas dele”, relata Garcia.

A programação do Virtuosi será retomada na terça-feira, prosseguindo até o domingo.

Virtuosi na Igreja da Sé (Diário de Pernambuco)

Sob um cenário de belas igrejas, ladeiras e arquitetura do estilo colonial, e depois de receber a Mostra Internacional de Música (Mimo) e a Festa Literária de Pernambuco (Fliporto) neste ano, Olinda será sede, pela segunda vez, do 14º Virtuosi, o festival Internacional de Música de Pernambuco. O evento, com concertos neste sábado e domingo, tem patrocínio do Ministério da Cultura e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). É gratuito e traz, além de diversas atrações internacionais e nacionais, o grupo alemão Trombone Unit Hannover, formado por oito músicos da Escola Superior de Música e Teatro de Hannover e que conquistou prêmios como ARD Internacional Music Competition e o internacional Instrumental Competition Markneukirchen.

A abertura, no sábado, às 18h, na Igreja da Sé, conta com apresentação do violoncelista Leonardo Altino, famoso por exibições solistas nas principais orquestras brasileiras e sinfônicas do Chile e Bogotá. Na ocasião, o músico tocará, pela primeira vez na região, as Seis Suítes do multiinstrumentista Johann Sebastian Bach para cello solo, consideradas obras máximas da escrita violoncelista do período barroco.

No domingo, a partir das 16h, o público poderá contemplar o mix de percussão com música erudita dos grupos Cellos UFRN & Percumpá e, em seguida, às 18h, a apresentação do quarteto dinamarquês Arild Kvartten, formado por violista e cellistas,e às 20h, a Trombone Unit Hannover. A Programação do 14º Virtuosi, que pode ser conferida através do site www.virtuosi.com.br, continua nos de 13 a 18 de dezembro, no Teatro de Santa Isabel, no Recife.

XIV Virtuosi tem concertos em Olinda, Recife e João Pessoa (Revista Concerto)

Um dos mais prestigiados eventos clássicos do Nordeste brasileiro, o festival Virtuosi, chega a sua 14ª edição trazendo várias novidades. A primeira é a tematização em torno dos compositores Franz Liszt (bicentenário de nascimento) e Gustav Mahler (centenário de morte). Entretanto, o grande diferencial será a ampliação geográfica do evento, que neste ano será realizado em Olinda, Recife e cruza a fronteira pernambucana ao chegar em João Pessoa, na Paraíba.

O Virtuosi será aberto no dia 10, em Olinda, com o violoncelista Leonardo Altino apresentando as Seis Suítes de Johann Sebastian Bach. No dia seguinte, a cidade recebe o grupo Cellos da UFRN em concerto com o Percumpá, o conjunto dinamarquês Arild Kvartetten e o grupo alemão Trombone Unit Hannover. A partir do dia 13 a programação se transfere para o Recife, com a apresentação da Orquestra Virtuosi sob a direção do Maestro Rafael Garcia, que contará com solos do flautista francês Anton Martynov e do trombonista e compositor sueco Christian Lindberg, que sola sua obra Ero Arctic.

Outro destaque do evento é a estreia, no dia 16, da Cantata Bruta, composição coletiva que reuniu importantes nomes da cena contemporânea de João Pessoa, tais como Didier Guigue, Eli-Eri Moura, J. Orlando Alves, Marcílio Onofre, Valério Fiel e Wilson Guerreiro.

As homenagens a Mahler e Liszt ficarão concentradas nos últimos dias do evento, quando serão executadas a A canção da terra, de Mahler, e serão realizados os recitais em que os pianistas Victor Asuncion, Jihye Chang e Peter Laul interpretarão obras de Liszt.

Entrevista com o Maestro Rafael Garcia (Agenda Cultural do Recife)

Como começou o seu envolvimento com a música?
Venho de uma família muito ligada à arte. Meu pai, arquiteto de monumentos, era uma pessoa que gostava muito de música clássica especialmente de ópera. Desde muito pequeno era obrigado a ouvir essas músicas coisa que no início eu sentia como uma obrigação, mas aos poucos ela foi me envolvendo e começou a fazer parte da minha vida. Minha mãe gostava de pintura e da dança clássica e meu irmão mais velho (8 anos mais velho) estudava o violino com muita dedicação. Não foi difícil escolher para mim a música como profissão. Estudei no Chile e aos 22 anos fui com bolsa do governo alemão estudar na Escola Superior de Música de Detmold, onde conheci Ana Lúcia, minha esposa.

E como foi o processo para você se tornar efetivamente um maestro?

Quando vim da Alemanha para residir no Recife, fui contratado como professor da Universidade Federal da Paraíba, entre outros empregos. Lá por volta dos anos 71, 72 comecei minha experiência como regente trabalhando com a orquestra de jovens que tinha na época na Coordenação de Extensão. Durante minha estadia em São Paulo como spalla da OSESP, o Maestro Eleazar de Carvalho me ofereceu a chance de ser seu assistente. Na ocasião, eu estava muito voltado para o violino e não pensava em ser maestro. Ao mudar para a Paraíba, comecei, como spalla da Orquestra Sinfônica da Paraíba, a preparar as cordas, ensaiando regularmente cada programa, depois veio a preparação da Orquestra Jovem e finalmente criei minha própria orquestra chamada Solistas da Paraíba com a qual realizamos uma turnê por todas as capitais do país. Com essa orquestra, eu dirigia tocando violino, como spalla. Quando passei a residir no Recife, criei a Orquestra Jovem de Pernambuco. A partir daí, fui me dedicando cada vez mais à regência e deixando o violino de lado. Nos Estados Unidos, tinha minha orquestra jovem da cidade de Lexington (MA), fui também, como maestro, para o festival String in the Mountains (CO). Retornando ao Brasil, reativei a Orquestra Jovem de Pernambuco e com a criação do festival VIRTUOSI pude então me dedicar inteiramente à regência.

Dá para identificar a sonoridade brasileira na música erudita?
Eu acredito que sim, principalmente ritmos e melodias. Não creio que seja exatamente uma sonoridade brasileira, mas ritmos e melodias que lembram todas as influências folclóricas que a nossa música sofreu e ainda sofre. Evidentemente isso é mais claro nas músicas dos compositores nacionalistas. Villa-Lobos deixa muito claro em sua obra toda essa influência dos cantos dos pássaros, do barulho dos rios, da floresta, etc.

Como você avalia a história do VIRTUOSI, que chega a sua 14ª edição? Qual o maior desafio para a realização dele?
Um projeto vitorioso. O que nos levou a criar o festival em 1998 francamente foi o tédio que se abateu sobre o meio musical. Nada acontecia. Hoje o VIRTUOSI se divide em vários eventos como o Brasil, Gravatá, Garanhuns, Sem Fronteiras e o Internacional. No próximo ano, teremos o dedicado à música contemporânea. Esse crescimento é a melhor avaliação que o projeto pode ter. O VIRTUOSI também tem servido de estímulo para o surgimento de outras iniciativas que têm contribuído enormemente para o desenvolvimento cultural da região. O VIRTUOSI oferece ao público pernambucano e da região Nordeste uma música de excelente qualidade, a oportunidade de conhecer artistas nacionais e internacionais que normalmente não passam por aqui, a chance de ouvir e conhecer obras inéditas oferecendo classes gratuitas para estudantes da região, entre outras coisas. Nosso maior desafio para realizar os festivais é a captação de recursos. Temos parceiros fiéis que acreditam no nosso trabalho e que, independentemente da função que ocupam, estão sempre conosco. Aproveitamos para agradecer a Leda Alves que considero a fã nº 1 do VIRTUOSI. Se a mentalidade de nossos governantes e empresários fosse mais aberta e mais sensível, certamente seria muito mais fácil realizar o VIRTUOSI.

Este ano, além do Recife, de Olinda e de João Pessoa, o VIRTUOSI chega pela primeira vez a Belém do Pará. Como é essa missão de levar a música erudita ou clássica ao alcance de tantas pessoas?
Isso deveria acontecer durante todo o ano, sem pausas. Hoje fazemos por época e durante alguns dias. Se tivéssemos as condições necessárias, a música clássica estaria presente no cotidiano de cada pessoa, nas rádios, TVs, concertos públicos, escolas, etc. Quando começamos a fazer o VIRTUOSI em Garanhuns, sete anos atrás, havia um sentimento de medo em relação à reação do público. Entretanto, recebemos centenas de cartas do público presente contando cada um sua história particular de como recebeu essa música durante aquele período. Lindo de ver, aquele que veio no primeiro dia e se cansou, dormiu, mas depois veio novamente, gostou e no final queria estudar um instrumento. É essa a reação que o público tem. Gosto sempre de lembrar que em primeiro lugar devemos lidar com a sensibilidade e com a emoção das pessoas e em segundo, levar na maioria das vezes músicas que permanecem no tempo – nossos hits duram mais de 200 anos!

Nesta edição, o VIRTUOSI homenageia os compositores Franz Liszt e Gustav Mahler. Como foi feita essa escolha?
São dois compositores importantes na história da música ocidental e ambos estão sendo celebrados no mundo inteiro. Franz Liszt pelos 200 anos de nascimento e Gustav Mahler pelos 100 anos de sua morte. Liszt teve um papel fundamental na história do piano. É importante salientar que o VIRTUOSI escolheu três pianistas, Jihye Chang (Coreia), Victor Asuncion (Filipinas) e Peter Laul (Rússia), para mostrar cada um facetas diferentes da obra pianística de Liszt.  São estudos, rapsódias, valsas, transcrições de obras de Wagner e Schubert e o Concerto nº 2 para piano e orquestra.Gustav Mahler é um compositor muito pouco tocado por aqui. Essencialmente sinfônico, suas obras solicitam por orquestras muito grandes o que dificulta a execução. Escolhemos um repertório de Mahler com versões camerísticas feitas por outros compositores como Schoenberg e Gerard Müller-Hornbach. Dessa forma, vamos poder apresentar para o público pernambucano pela primeira vez a obra A Canção da Terra, sinfonia para voz e orquestra, que na realidade deveria ter sido a 9ª Sinfonia de Mahler, mas, por superstição, ele preferiu não colocar número (por causa de Beethoven). Essa obra foi escrita para tenor e mezzo (ou barítono) e orquestra. Além dela, faremos alguns dos Rückert Lieder e o Adagietto da Sinfonia nº 5 escrito para cordas e harpa.

Quais são as novidades que o VIRTUOSI apresenta este ano?
O VIRTUOSI faz questão de apresentar todos os anos obras inéditas. Este ano, temos a apresentação pela primeira vez nas Américas de dois concertos de Vivaldi, recém-descobertos pelo violinista francês Anton Martynov em Viena. Ele mesmo vai executá-los. Além dessa obra, também teremos a estreia nas Américas do Concerto para viola e orquestra intitulado Steppenwolf de Christian Lindberg. Esse concerto foi escrito especialmente para Rafael Altino e a estreia aconteceu em outubro passado em Odense, Dinamarca. Não podemos deixar de falar da participação excepcional de Leonardo Altino que abre a programação com as 6 Suítes para cello solo de Bach. Esse é um feito raro. Poucas pessoas têm a coragem de enfrentar essa maratona e Leonardo vai fazê-la na Igreja da Sé, no dia 10, às 18h e às 20h. Leonardo também apresentará pela primeira vez o Concerto para cello e orquestra de sopros de Gulda. A Cantata Bruta, escrita por seis compositores paraibanos, também será um marco no festival.

Qual é a sua maior realização hoje, à frente desse festival?
Eu acredito que seja o fato de poder contribuir para o enriquecimento da música no estado de Pernambuco. É levar para o público jovem e para o público tradicional que normalmente lotam nosso teatro uma música que em geral não é ouvida por aqui e nosso pagamento é o aplauso caloroso desse público. Através do calor de nosso público e da alegria de nossos artistas convidados que já querem voltar no ano seguinte, sinto-me plenamente realizado e convicto de que o VIRTUOSI está no caminho certo.

Eruditos constroem ligação com o povo (Jornal do Commercio)

AD Luna

ad.luna@gmail.com

Especial para o JC

Discutir o pensar e o fazer na música erudita. Esse é o principal objetivo do Virtuosi Diálogos – A Música Contemporânea no Nordeste, que acontece hoje e amanhã no auditório da Livraria Cultura. A série de debates, que integra a programação do XIV Virtuosi Festival Internacional de Música, reúne os compositores nordestinos Antonio Madureira, Danilo Guanais, Eli-Eri Moura, Liduíno Pitombeira, Marcílio Onofre, Nelson Almeida, que conversarão entre si e com a plateia sobre o atual panorama regional desse segmento artístico.

“Sempre procuramos organizar atividades paralelas ao Festival com o intuito de envolver os compositores e os jovens músicos eruditos”, explica a pianista e diretora-geral, Ana Lúcia Altino.

Ela diz acreditar que, de maneira geral, está havendo uma maior difusão da música erudita em Pernambuco e no Nordeste, mas que isso poderia ser ampliado. “Acho que há mais pessoas fazendo concertos, porém sinto falta de professores mais qualificados. A Orquestra Sinfônica do Recife também anda muito parada”, complementa.

A musicista cita projeto criado na Venezuela como exemplo de desenvolvimento da cultura erudita. “O El Sistema foi criado há 30 anos naquele país por José de Abreu (político, educador e compositor) e ajudou a tirar muitas crianças e jovens do caminho das drogas e da violência”, explica. Fora o aspecto social, o programa tem sido responsável pela formação de excelentes regentes, músicos e orquestras e sempre é tratado como referência pela comunidade internacional.

Além da apreciação e da experiência estética, Ana Lúcia exalta o papel da música erudita como reforço educacional e integrativo. “Na música você lida com emoção, sentimento. Trabalhando em um grupo, você aprende a respeitar, a ouvir o outro e exercitar a disciplina. Acho até que os militares imitaram a organização, o esquema, das orquestras”, brinca.

Eventos como o Virtuosi e a Mimo (Mostra Internacional de Música de Olinda) vêm desmistificando a ideia de que música de concerto e/ou instrumental só é apreciada por gente mais abastada. “Pessoas de todas as classes sociais apreciam ouvir os ‘hits’ da música clássica. Temos visto isso em várias situações. Também é notável a crescente procura por vagas em cursos oferecidos pelo Conservatório Pernambuco de Música”, aponta Ana Lúcia Altino.

Por falar em “hits” eruditos (ou seja, composições de autores mais citados e conhecidos como Mozart, Beethoven, Bach, entre outros), o Virtuosi Diálogos procura mostrar e difundir o fato de que a música clássica não vive só do passado e que continua sempre se renovando. Para o debatedor Eli-Eri Moura, é realmente raro se ouvir falar de concertos nos quais se apresente o trabalho de autores contemporâneos. Mas esse situação pode ser transformada. “Não achamos que o público é ignorante, ele apenas não tem muito acesso a esse tipo de informação. Por isso, temos a missão de divulgar nosso trabalho e de outros autores do nosso tempo”, reforça o também professor da Universidade Federal da Paraíba.

Conversas Eruditas (Diário de Pernambuco)

O Virtuosi Diálogos, ciclo de debates com início hoje, na Livraria Cultura, tem desafios bem definidos pelo seu curador, o músico Eli-Eri Moura: tratar de compositores contemporâneos eruditos e que atuam no Nordeste. “Existe um público? Como ele reage, já que a linguagem é, às vezes, considerada hermética? Como é que essa linguagem atua na psiquê do público do concerto? Estamos convidando as pessoas para conversarem com os compositores, daí que o nome do ciclo seja Virtuosi Diálogos”, explica o organizador.

“O que se chama de música erudita contemporânea”, continua Eli-Eri, “na verdade, é apenas a música escrita para uma sala de concertos e que tem uma linguagem composicional atual. Existem festivais, como o de Música Contemporânea Brasileira, do Rio de Janeiro, ou a bienal (de Música Contemporânea) que é realizada no Mato Grosso, que buscam divulgar esse tipo de produção. No entanto, não há essa discussão aqui no Nordeste, especialmente com compositores nordestinos (pelo menos aqueles que nasceram e que atuam aqui)”.

Eli-Eri Moura foi primeiro professor de composição contratado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde implantou a área de composição (na extensão, graduação e pós-graduação). Possui mestrado e doutorado na McGill University, no Canadá, e trabalha também com a composição de trilhas (são deles as trilhas para os espetáculos Lágrimas de um guarda chuva e A morte do artista popular, ambos de 2010, por Antonio Cadengue). O próprio Eli-Eri acena para a vinculação formal dos compositores com instituições de ensino e pesquisa.

“Você raramente encontra um compositor da chamada música de concerto que sobreviva somente de sua composição. Ele está geralmente associado a uma universidade, a uma instituição. É o caso de quase todos os nossos convidados. Seis compositores, representando quatro estados nordestinos”.

Nas mesas estarão Nelson Almeida, professor da Universidade Federal de Pernambuco – “um excelente compositor desta linguagem, com doutorado em composição na Inglaterra. Mas você não escuta o nome do Nelson Almeida facilmente, não é?”, apresenta Eli-Eri. Também, Marcílio Onofre, da Paraíba, “compositor muito jovem, já professor da UFPB, que tem despontado nacionalmente com vários prêmios”. Do Ceará e com doutorado nos Estados Unidos, vem o conceituado Liduíno Pitombeira, atualmente atuando como professor da Universidade Federal de Campina Grande.

Pernambuco será representado Antônio Madureira que debate com Danilo Guanais, do Rio Grande do Norte, a composição Armorial. “Achamos interessante trazer para o debate a questão de como é a música Armorial hoje, composta em 2011”.

Saiba mais

Virtuosi Diálogos (Livraria Cultura). Gratuito.

Sessão 1
Hoje, 10h às 12h
Criação musical contemporânea no Nordeste – regionalismo, pluralidade, ecologismo
Talk 1: Nelson Almeida (PE)
Performance: Grupo de Nelson Almeida
Talk 2: Eli-Eri Moura (PB)
Performance: Gueber Santos (clarinete). Diálogos com mediação de Marcílio Onofre

Sessão 2
Quarta-feira(7), 10h às 12h
Sistemas, reciclagem, desbravamento.
Com Marcílio Onofre (PB), Liduíno Pitombeira (CE), Eli-Eri Moura

Sessão 3
Quarta-feira(7), 13h às 15h
A música armorial hoje. Com Danilo Guanais (RN), Antonio Madureira (PE) e Eli-Eri Moura

Virtuosi faz homenagem a Liszt e Mahler (Continente Online)

Ecoando em quatro cidades diferentes – Recife, Olinda, João Pessoa e Belém do Pará – começa, nesta terça-feira (06 de dezembro) a 14° edição do Festival Internacional de Música de Pernambuco, o Virtuosi. O evento deste ano – que segue até o dia 18 – é dedicado aos compositores Franz Liszt e Gustav Mahler, trazendo grandes nomes nacionais e internacionais da música instrumental.

Tendo como um de seus principais focos a educação, o 14º Virtuosi inicia suas atividades com uma série de mesas com compositores nordestinos, os Virtuosi Diálogos – A Música Contemporânea no Nordeste. As conversas, que acontecerão na Livraria Cultura, contam com a presença de músicos como Antonio Madureira, Liduino Pitombeira e Nelson Almeida, entre outros. Os Diálogos apresentam, ainda, apresentação de obras dos compositores pelo grupo Sonantis. Além das mesas, o Festival realiza as tradicionais Master Classes com professores convidados, de corda e trombone. Os interessados em participar podem se inscrever no site do Virtuosi.

A abertura da festa será na Igreja da Sé, em Olinda, às 18h do dia 10 de dezembro, com o violoncelista Leonardo Altino, que apresentará, pela primeira vez no Nordeste, as Seis Suítes de Bach para cello solo. Serão dois concertos seguidos, com um intervalo. Já no domingo (11), às 16h, o Virtuosi traz, às 16h, o grupo Cellos da UFRN & Percumpá, seguido do conjunto dinamarquês Arild Kvartetten, e dos alemães Trombone Unit Hannover (que recebeu o primeiro prêmio no Deutschen Musikwettbewerben 2011).

RECIFE – Já no Teatro de Santa Isabel, a programação se divide entre as séries Salão Nobre e Vicente Fittipaldi. A Série Salão Nobre, que acontece de 13 a 16 de dezembro, das 17h às 18h, abre suas apresentações com o lançamento do CD Poema, do violoncelista Leonardo Altino.Com patrocínio da Petrobrás e do Funcultura, o álbum traz a obra completa para violoncelo do compositor pernambucano Marlos Nobre.

Outros destaques do programa da Salão Nobre são o cravista Ronan Khalil e a mezzo Maïlys de Villoutreys, que apresentarão obras barrocas. Nos dias 14, 15 e 16 será apresentado também o Ciclo Brahms, com os pianistas Victor Asuncion e Peter Lau, os violinistas Simon Gollo e Benjamin Sung, o violista Rafael Altino, a cellista Katarina Bundgaard, os trompistas Luiz Garcia, Arild Kvartetten, Ensemble São Paulo e clarinetista Carlos Rieiro.

A programação segue com a apresentação das obras de Christian Lindberg, Friedrich Gulda e Franz Liszt. Apresentado pela primeira vez nas Américas, o concerto para viola e orquestra de Lindberg, intitulado Steppenwolf, foi escrita sob encomenda da Orquestra Sinfônica de Odense, Dinamarca,  para o violista brasileiro Rafael Altino. De Liszt, o público poderá ver o concerto nº 2 para piano e orquestra, que terá como solista o pianista Peter Laul.

VIRTUOSI PELA PAZ – A maratona musical tem início na sexta-feira (16), às 20h, com apresentação da Cantata Bruta pela Orquestra de Câmara da Cidade de João Pessoa – OCCJP, Coro Sonantis, solistas, declamadores, e sons eletrônicos sob a regência de Eli-Eri Moura, um dos compositores da obra, que aborda a violenta vida contemporânea. Composta a partir de uma seleção de histórias integrantes d’A Gigantesca Morgue – série de 126 minicontos que faz parte do livro História Universal da Angústia de W.J. Solha – ela é o resultado de um trabalho coletivo de seis compositores que atuam em João Pessoa, e são dedicados ao desenvolvimento de uma linguagem musical mais atual.

VIRTUOSINHO – A despedida do Festival será no domingo (18), a partir das 15h, com o Virtuosinho. Na programação, a Orquestra Meninos do Coque, sob regência do Maestro Lanfranco Marcelletti, seguida pelo Festival Liszt, e pelo grupo francês Le Quatuor Caliente, especialista na música do compositor argentino Astor Piazzolla.

XIV Virtuosi abre programação em Olinda (Prefeitura da Cidade)

A Igreja da Sé, em Olinda, recebe, pelo segundo ano consecutivo, o XIV VIRTUOSI – Festival Internacional de Música de Pernambuco. Uma realização do Ministério da Cultura e o BNDES com apoio da Prefeitura de Olinda, o festival acontece entre os dias 06 e 18 de dezembro. O VIRTUOSI acontece também no Teatro de Santa Isabel, no Recife, em João Pessoa e pela primeira vez se estende para Belém do Pará.

O festival, que dedica esta edição aos compositores Franz Liszt e Gustav Mahler, mantém a tradição de trazer grandes nomes internacionais. Tendo como foco a “Educação”, o VIRTUOSI inicia suas atividades com o VIRTUOSI DIÁLOGOS – A Música Contemporânea no Nordeste – série de “talks” com compositores nordestinos entre eles Antonio Madureira, Eli-Eri Moura, Liduino Pitombeira, Nelson Almeida que se realizará na Livraria Cultura com apresentação de obras dos compositores pelo grupo Sonantis. Igualmente serão realizadas Master Classes com professores convidados de cordas e de trombone.Interessados poderão se inscrever no www.virtuosi.com.br. A programação do XIV VIRTUOSI será totalmente gratuita.

A abertura do festival será em Olinda, na Igreja da Sé, às 18h do dia 10 de dezembro. Para abrir a programação artística do evento, a produtora Ana Lúcia Altino e o diretor artístico do evento, o Maestro Rafael Garcia, convidaram o violoncelista Leonardo Altino, que apresenta pela primeira vez no nordeste as Seis Suítes de Johann Sebastian Bach para cello solo. Serão dois concertos seguidos com intervalo entre os dois quando será servido um pequeno coquetel ao público presente, prática comum nas grandes salas de concerto. No dia 11 de dezembro, às 16h, o festival escalou o grupo Cellos da UFRN & Percumpá. Em seguida às 18h o conjunto dinamarquês Arild Kvartetten se apresenta seguido às 20h pelo grupo alemão Trombone Unit Hannover.

A partir da terça-feira, 13 de dezembro, às 20h, o XIV VIRTUOSI inicia sua Série Vicente Fittipaldi, que abriga os principais concertos do festival. O concerto de abertura reúne a Orquestra Virtuosi sob a direção do Maestro Rafael Garcia e solistas que juntos oferecem um programa inusitado. Na primeira parte serão apresentados cinco concertos para violino e orquestra do compositor barroco Antonio Vivaldi, tendo como solista o violinista francês de origem russa Anton Martynov. Nesta noite, Martynov apresentará dois concertos do compositor italiano desconhecidos do público e descobertos em Viena recentemente pelo violinista que diz “não ter dúvidas quanto a autenticidade”. Em seguida, o trombonista Christian Lindberg apresenta sua obra Ero Arctic para trombone alto e orquestra de cordas.

Na quarta-feira, 14 de dezembro, às 20h, o festival apresenta o grupo alemão Trombone Unit Hannover que, formado por oito trombonistas,  recebeu recentemente o primeiro prêmio no Deutschen Musikwettbewerben 2011 e apresentará um programa especialmente elaborado para o festival. O famoso trombonista sueco Christian Lindberg participa também da programação.

Na quinta-feira, 15 de dezembro, às 20h, o festival oferece um programa bastante diversificado e criativo. Obras de Christian Lindberg, Friedrich Gulda e Franz Liszt compõem o concerto. De Lindberg será apresentado o concerto para viola e orquestra intitulado Steppenwolf, obra escrita para o violista brasileiro Rafael Altino sob encomenda da Orquestra Sinfônica de Odense, Dinamarca. O concerto foi estreado em outubro e será apresentado em primeira audição nas Américas. Em seguida, o violoncelista Leonardo Altino será solista do concerto para cello e jazz band do compositor austríaco Gulda. A noite segue a programação com o concerto nº 2 de Liszt para piano e orquestra que terá como solista o pianista Peter Laul.

Na sexta-feira 16 de dezembro, às 20h, tem inicio o II VIRTUOSI PELA PAZ. A maratona musical inicia com apresentação da Cantata Bruta pela Orquestra de Câmara da Cidade de João Pessoa – OCCJP, Coro Sonantis, solistas, declamadores, sons eletrônicos sob a regência de Eli-Eri Moura, um dos compositores da obra. A Cantata Bruta aborda o tema da violenta vida contemporânea, a partir de uma seleção de histórias integrantes d’A Gigantesca Morgue, série de 126 minicontos que faz parte do livro História Universal da Angústia de W.J.Solha. Ela é o resultado de um trabalho coletivo de seis compositores que atuam em João Pessoa e são dedicados ao desenvolvimento de uma linguagem musical pertencente aos nossos dias – Didier Guigue, Eli-Eri Moura, J. Orlando Alves, Marcílio Onofre, Valério Fiel e Wilson Guerreiro. Escrever a Cantata sobre o texto de Solha foi a forma que encontraram para homenagear o aniversário de 70 anos do autor, e, ao mesmo tempo, transcender o universo da música abstrata, tocando num tema real e perturbador da sociedade atual.

A maratona musical segue no sábado dia 17 a partir das 14h da tarde com o recital do violinista Benjamin Sung (EUA) acompanhado pela pianista Jihye Chang, seguido pelo Duo Inviolata (Dinamarca), recital da pianista Jihye Chang (Coréia), do acordeonista Alexander Hrustevich (Rússia) e apresentação dos Quartetos para piano e cordas de Gustav Mahler e Johannes Brahms com Victor Asuncion, piano; Anton Martynov, violino; Rafael Altino, viola e Leonardo Altino, cello.

A partir das 20h do sábado 17 de dezembro, o XIV VIRTUOSI presta homenagem ao compositor Gustav Mahler apresentando entre outras a obra “Das Lied Von der Erde” (A Canção da Terra), sinfonia para tenor, alto e orquestra com arranjo de Schoenberg para conjunto de câmara. É a primeira vez que a obra será apresentada no nordeste e conta com a participação dos cantores russos Alexander Timchenko (tenor) e Regina Rustamova (mezzo), ambos do Teatro Mariinsky de São Petersburgo.

O festival se despede no domingo, 18 de dezembro a partir das 15h, com o Virtuosinho que conta com a participação da Orquestra Meninos do Coque sob a regência do Maestro Lanfranco Marcelletti, seguido pelo Festival Liszt com os pianistas Victor Asuncion, Jihye Chang e Peter Laul.  Para encerrar a programação, o festival escalou o grupo francês Le Quatuor Caliente, especialista na música do compositor argentino Astor Piazzolla.

Virtuosi celebra Liszt e Mahler (Jornal do Commercio)


O Virtuosi Festival Internacional de Música de Pernambuco vai homenagear os compositores Franz Liszt e Gustav Mahler em sua 14ª edição. O evento mantém a tradição de trazer nomes internacionais e inicia sua programação, anunciada ontem, com o Virtuosi Debates, a ser realizado na Livraria Cultura, dias 6 e 7 de dezembro. Os concertos terão início no dia 10 e seguem até 18 do mês que vem. Toda a programação é gratuita e as inscrições para o ciclo de discussões serão realizadas pelo site http://www.virtuosi.com.br/.

Para abrir a programação de concertos do festival, na Igreja da Sé, foi convidado o violoncelista Leonardo Altino, que apresenta pela primeira vez no Nordeste as seis suítes de Johann Sebastian Bach para violoncelo solo. Ele também abre a programação do Teatro Santa Isabel, que acontece de 13 a 16 de dezembro, realizando o lançamento do álbum Poema, que traz a obra completa para violoncelo do compositor pernambucano Marlos Nobre.

Também no dia 13, abrindo a Série Vicente Fittipaldi, a Orquestra Virtuosi, regida pelo maestro Rafael Garcia, se apresenta ao lado do solista francês Anton Martynov. No repertório, dois concertos do compositor italiano Antonio Vivaldi encontrados pelo violinista, que até hoje só foram apresentados na Rússia e o músico afirma não ter dúvidas quanto à autenticidade.

Virtuosi em contínua expansão (Folha de Pernambuco)

O Virtuosi – Festival Internacional de Música de Pernambuco -,  já está em sua 14ª edição, mas nem por isso se acomodou em seu formato. Pelo segundo ano consecutivo, sua programação se estende ao Teatro de Santa Isabel (Recife), Igreja da Sé (Olinda) e Igreja de São Francisco (João Pessoa) e, pela primeira vez, chegará em Belém do Pará. Todo esse circuito será feito entre os dias 6 e 18 de dezembro e contará com master classes e concertos. A programação do festival foi divulgada ontem e, este ano, homenageará os compositores Franz Liszt e Gustav Mahler.

O início dos concertos do 14º Virtuosi acontecerá na Igreja da Sé, em Olinda, no dia 10 de dezembro, quando o violoncelista Leonardo Altino apresentará, pela primeira vez no Nordeste, as “Seis Suítes de Johann Sebastian Bach” para cello solo. No Recife, a programação do Teatro de Santa Isabel se dividirá entre as séries Salão Nobre e Vicente Fittipaldi. A Salão Nobre, que acontece de 13 a 16 de dezembro, às 17h e 18h, abre seu programa com o lançamento do CD “Poema”, de Leonardo Altino, em homenagem à obra do compositor pernambucano Marlos Nobre. Nomes como Quinteto da Paraíba, os pianistas Victor Asuncion e Peter Laul e os violinistas Simon Gollo e Benjamin Sung também passarão pelo palco.

No dia 13 de dezembro, às 20h, o Virtuosi inicia a Série Vicente Fittipaldi, que abriga os principais concertos do festival. A abertura ficará a cargo da Orquestra Virtuosi sob a direção do Maestro Rafael Garcia. Estão presentes na programação, nomes aclamados mundialmente como o grupo alemão Trombone Unit Hannover e o famoso trombonista sueco Christian Lindberg. O violinista Benjamin Sung (EUA) fará concerto acompanhado pela pianista Jihye Chang (Coréia), enquanto o Duo Inviolata traz sua música direto da Dinamarca. Para encerrar a programação, no dia 18 de dezembro, o festival escalou o grupo francês Le Quatuor Caliente, especialista na música do compositor argentino Astor Piazzolla. A programação completa está no www.virtuosi.com.br.

EDUCAÇÃO
O Virtuosi inicia suas atividades com o programa Virtuosi Diá­logos, série de palestras com compositores nordestinos, como Antonio Madureira, Eli-Eri Moura, Liduino Pitombei­ro e Nelson Almeida, que acontecerá entre os dias 6 e 7 de dezem­bro, na Livraria Cultura. Tam­bém serão realizadas master classes com professores con­­vidados de cordas e de trom­­bone. Interessados poderão se inscrever no site do festival.